::29.4.03::
Sobre o que passou, passou.
Não sei nem como começar a narrar minha noite de ontem...Meu 1o. namorado me ligou, pra botar a conversa em dia. Sim, somos amigos até hoje, graças a uma turma muito feliz de 2o. grau e mais alguns períodos juntos na faculdade. Fomos namorados em 1993, ou seja, a um milhão de anos atrás!!! Sim, já se passaram 10 anos, ele casou e eu namorei mais alguns por aí.
Bem, ele me ligou pra saber da viagem do Peru e pra comunicar que vai se mudar, ele a esposa, para Belo Horizonte. Até aí, ok, só xinguei ele por não nos dar tempo (a nós, os amigos) para uma festinha de despedida, um boteco qualquer, qualquer lugar!!!
O choque da noite foi saber que, graças à sua arrumação de mudança, ele acabou achando um monte de coisa minha, cartinhas, bilhetinhos e fotos afins, e disse que tava tudo separado numa sacola pra me dar.
Acho que fiquei uns 3 minutos calada no telefone, e quatrocentos e cinqüenta mil pensamentos passaram pela minha cabeça nesse momento. Faz muuuuuito tempo que tudo isso passou, e hoje eu sei, certamente, que só restou a nossa querida amizade e carinho. Mas ser comunicada, assim, tão simplesmente, que teria todas aqueles momentos de volta, me deu um treco ruim, uma sensação horrível de estar sendo “desprendida”, de estar sendo posta, eu e meus papéis de carta azuis, dentro de um baú que vai ser jogado em instantes no fundo do mar.
Foi duro. Pensei na vida, nas coisas que devem ser aceitas, nas coisas que morrem e que você não encontra mais, ou não consegue nem mesmo aceitar que morreram! Meu amigo vai se mudar de cidade, mas internet está aí pra isso, e a gente não se via fazia tempo mesmo. O que morreu foi toda aquela inocência do 1o. beijo, a 1a. emoção de namorado, o primeiro bombom, o passeio em Paquetá...Morreu alguma parte de mim que estava conservada bem escondida, a ingenuidade, a doçura e uma dose grande de paixão que nasceu toda naquele ano de 1993. E lidar com isso tudo faz parte do plano de ser “gente grande”, querendo ou não. E me faz ver também que não estou indo tão mal assim, ou melhor, tenho mais consciência do meu ritmo agora, e percebo o longo caminho que tenho ainda para encontrar o meu próprio baú das coisas mortas. Tudo é muito difícil...
Difícil também é escrever sobre isso, mesmo sabendo que ele não vai ler (ufa!). É tamanho texto pessoal que eu precisei digitar no Word antes de colar no post, ainda hesitando se iria “publicar” ou não. Mas esse meu Laguinho de Narciso® é bem escondido, e serve como uma válvula de escape virtual para o que não posso dividir, ou talvez não queira. Divido comigo mesmo, sozinha, e quem sabe um dia eu não aprendo?!
E então fico aguardando pelo meu “pacote” que vai chegar via Correios, e depois, quem sabe, uma pequena lembrança do que era EU em 1993...
Sinto muitas saudades de mim.
:: Marcia Furriel 5:00 p.m.
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"...[R]eturning to the Red Drum for sets, to hear Bird, whom I saw distinctly digging Mardou several times also myself directly into my eye looking to search if I was really the great writer I thought myself to be as if he knew my thoughts and ambitions or remembered me from other night clubs and other coasts, other Chicagos--not a challenging look but the king and founder of the bop generation at least the sound of it in digging his audience digging his eyes, the secret eyes him-watching, as he just pursed his lips and let great lungs and immortal fingers work, his eyes separate and interested and humane, the kindest jazz musician there could be while being and therefore naturally the greatest--watching Mardou and me in the infancy of our love and probably wondering why, or knowing it wouldn't last, or seeing who it was would be hurt, as now, obviously, but not quite yet, it was Mardou whose eyes were shining in my direction, though I could not have known and now do not definitely know--except the one fact, on the way home, the session over the beer in the Mask drunk we went home on the Third Street bus sadly through night and throb knock neons and when I suddenly leaned over her to shout something further (in her secret self as later confessed) her heart leapt to smell the "sweetness of my breath" (quote) and suddenly she almost loved me--"
DO LIVRO The Subterraneans
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