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::29.7.03::
AS HORAS

Amanhã tiro os pontos da minha barriga. Agora ando 98% ereta. Os outros 2% só vão vir quando eu perceber que já estou devidamente remendada e posso continuar com tudo na vida, inclusive andar normalmente. Ontem passei algumas horas 50% ereta, entretanto. Levei um soco no estômago, desses que não são dados por ninguém em específico, mas por você mesmo, pelas coisas que pensei, que senti. Foi estranho. Depois de uns poucos minutos de pressão total, eu me senti envolta em névoas. Tudo parecia sem importância, o mundo todo em volta, o filme ruim que eu vi, a tv. Andei perambulando pela minha cabeça, essencialmente na parte que guarda as coisas do meu coração. Não foi algo ruim, mas também não foi bom. Passei e parei, durante algumas horas, pelo eterno sentimento de culpa que carrego, culpa de ser quem eu exatamente sou, olha a loucura da pessoa!

Carregar a culpa de tudo que deu errado na minha vida emocional, that's the karma. Mas por mais que eu andasse em volta disso, o resto do cérebro e de qualquer outra parte importante nessa história reafirmava que desta vez não foi assim. E eu continuava andando, tentando remexer nas outras informações, encaixando os sentimentos onde eles cabiam, onde era lugar deles dali por diante, ou de uns tempos pra cá...Encaixando as pessoas também, e o lugar de todas, os seus merecimentos. E criando os seus devidos descansos, como as pessoas que morrem nas estradas do México e de outros países, hermanos. Elas morrem ali, por acidente, e ali ficam enterradas, pre sempre com uma pequena cruz marcando o exato lugar da morte, à beira do caminho. Assim fui eu andando, na névoa.

Quando eu saí dela eu já estava deitada pra dormir. Foi a minha melhor noite, desde que saí da cirurgia. Dormi tranquila e a névoa foi embora. Ficou a sensação de remendo, como se eu tivesse posto as idéias no lugar à força, e costurei e enterrei bem fundo. Esses pontos ainda não vão sair amanhã. Vão ter que ser tratados, limpos, e por um bom tempo eu ainda farei os curativos. Saiu a névoa, veio o grande vazio. Nada aterrorizante, nem angustiante. Só simplesmente vazio. É assim que me sinto agora. Não é tristeza, nem raiva, nem medo. É uma lacuna, exposta ao vento e a todos os tipos de intempéries, à procura de uma nova boa sensação. E escrever isso aqui já me faz bem, só por saber que ainda sou plenamente capaz de sentir boas sensações.

Acho que finalmente entendi o filme.


:: Marcia Furriel 3:06 a.m.


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"...[R]eturning to the Red Drum for sets, to hear Bird, whom I saw distinctly digging Mardou several times also myself directly into my eye looking to search if I was really the great writer I thought myself to be as if he knew my thoughts and ambitions or remembered me from other night clubs and other coasts, other Chicagos--not a challenging look but the king and founder of the bop generation at least the sound of it in digging his audience digging his eyes, the secret eyes him-watching, as he just pursed his lips and let great lungs and immortal fingers work, his eyes separate and interested and humane, the kindest jazz musician there could be while being and therefore naturally the greatest--watching Mardou and me in the infancy of our love and probably wondering why, or knowing it wouldn't last, or seeing who it was would be hurt, as now, obviously, but not quite yet, it was Mardou whose eyes were shining in my direction, though I could not have known and now do not definitely know--except the one fact, on the way home, the session over the beer in the Mask drunk we went home on the Third Street bus sadly through night and throb knock neons and when I suddenly leaned over her to shout something further (in her secret self as later confessed) her heart leapt to smell the "sweetness of my breath" (quote) and suddenly she almost loved me--"

DO LIVRO
The Subterraneans
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Tina the Troubled Teen
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