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::13.10.03::
OH, SENSATION

Ano: não faço a menor idéia. Já não estávamos mais no segundo grau, já era faculdade. Eu ainda cegamente obcecada. Bad times indeed. Fomos viajar, para a casa dele, uma galerinha, a mesma de sempre. Tensão o dia inteiro, piscininha, cervejinha, o tempo passava e eu lá, controlando a loucura, fingindo ser cool o bastante pra ser amiguinha, como todos.

Chegou a noite, todos dormindo, os casaizinhos se retiraram, sobraram ele, eu e o outro. O primeiro, grande destroçador do meu coração, coisa que ninguém na vida mais vai fazer, e é com um ENORME alívio que eu digo isso. O outro, aquele que pela primeira vez me fez ver o que é ser amada, ser acarinhada, passear de mãos dadas por aí, escrever cartõezinhos bestas de amor com a cara do Mickey, ouvindo Beto Guedes pra inspiração. Os dois lá, e eu. E alguém pegou o toca-cds, e eu levava comigo o Dummy, minha recém descoberta da época. Portishead, sem o menor vestígio do que poderia causar. Ainda era só uma banda que eu gostava. O papo foi ficando cada vez mais escasso, não tinha mais ninguém pra jogar sueca, esgotou o uísque e a coca-cola. O outro viu que não teria a menor chance, de tal modo vidrada que eu era naquele ser, aquela coisa perturbadora. Levantou-se e foi dormir.

Sobramos nós dois, o Karma e eu, e a Beth Gibbons, na salinha da casa de madeira, um frio de rachar...Entrei embaixo das minhas cobertas (eu ia dormir no sofá mesmo) e ele ficou de frente, sentado no tapete, com um último copinho de teor alcoólico não mais identificado. Alguns minutos, pequeninos, de silêncio, e ele fala então o que eu sempre quis ouvir: sim, sim, naquela época, eu era muito, muito apaixonado por você. Choque. Me lembro rigidamente de trincar todos os dentes, e ficar na dúvida se eu berrava e iniciava um rebu descomunal, ou mantinha o movimento cool, e respondesse só “ah, legal”. Não fiz nem uma coisa nem outra. Perguntei, de volta: “mas por quê você só me diz isso agora, ANOS depois???”. Sem resposta...Eu nunca obtive essa resposta. Ele então encostou em mim, de leve, e essa sensação eu também lembro, claro, claro, transparente. Uma dor no corpo todo, a vontade de dizer que eu sempre fui dele também, mesmo quando ele não me queria, mesmo quando ele me escrotizava sem precedentes, mesmo quando ele ficava com outra mulher que não significava nada na frente de todos os nossos amigos, e dizia que era um inconseqüente e canalha. Canalha sim, sempre, o melhor de todos, profissional. Inconseqüente era inconcebível.

Eu passei muito mal naquela noite. Minha barriga doía sem parar, e minha garganta quase torceu de tanto choro que segurei. Mas a noite passou, passaram-se os anos, o século, o milênio. Passamos por namoradas e namorados, mais alguns encontros infelizes, outras ilusões e fim. Parece que tudo finalmente passou. Encontro com ele algumas vezes ao ano, junto com todos os outros amigos, e rola apenas um carinho, um resquício de intimidade que nunca houve de fato, uma condescendência que só existe por um passado infeliz.

Por quê eu lembrei disso tudo agora??? Não sei. A sensação do dia é de algo perdido, talvez uma esperança, e esse sentimento sempre me faz lembrar dele. Fiquei pensando no show que vai rolar por agora, e que estranho seria ouvir Portishead ao seu lado. Acho que teríamos pena, um do outro, por tudo que nunca conseguimos ser. EU tenho muita pena do que não consegui ser.

Desde a primeira vez que eu senti isso (e a primeira vez que cruzamos olhares foi em 91!), tudo na minha vida foi baseado em como fazer para que ele me amasse. Mudou o foco, mudou o cara, mudou a situação: continua assim. Eu esqueço de mim com uma facilidade incrível, e só penso no que mais eu posso dizer, fazer, deixar de fazer, para que as coisas funcionem. Alguém, por favor, faça funcionar.

Biscuit
G. Barrow/ B. Gibbons

I'm lost, exposed
Stranger things will come your way
Its just I'm scared
Got hurt along time ago
I can't make myself heard no matter how hard I scream

Ohh sensation
Sin, slave of sensation

Full fed yet I still hunger
Torn inside
Haunted I tell myself, yet I still wander
Down, inside, its tearing me apart

Ohh sensation
Sin, slave of sensation

Ohh sensation
Sin, slave of sensation

At last, relief
A mothers son has left me sheer
The shores I seek
Are crimson tastes devine
I can't make myself heard, no matter how hard I scream

Ohh sensation
Sin slave of sensation


:: Marcia Furriel 7:19 p.m.


[+] ::
...

[::..perfil..::]

"...[R]eturning to the Red Drum for sets, to hear Bird, whom I saw distinctly digging Mardou several times also myself directly into my eye looking to search if I was really the great writer I thought myself to be as if he knew my thoughts and ambitions or remembered me from other night clubs and other coasts, other Chicagos--not a challenging look but the king and founder of the bop generation at least the sound of it in digging his audience digging his eyes, the secret eyes him-watching, as he just pursed his lips and let great lungs and immortal fingers work, his eyes separate and interested and humane, the kindest jazz musician there could be while being and therefore naturally the greatest--watching Mardou and me in the infancy of our love and probably wondering why, or knowing it wouldn't last, or seeing who it was would be hurt, as now, obviously, but not quite yet, it was Mardou whose eyes were shining in my direction, though I could not have known and now do not definitely know--except the one fact, on the way home, the session over the beer in the Mask drunk we went home on the Third Street bus sadly through night and throb knock neons and when I suddenly leaned over her to shout something further (in her secret self as later confessed) her heart leapt to smell the "sweetness of my breath" (quote) and suddenly she almost loved me--"

DO LIVRO
The Subterraneans
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Tina the Troubled Teen
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