::21.11.03::
ZUMBIZANDO NA MADRUGADA

Voltando para a casa via Niemeyer...Zumbi já foi dormir, o feriado transcorreu na maior correria, como de praxe. Zumbi era eu, às 7:30h da matina, passando MAQUIAGEM pra não assustar os pobres mortais da rua, que saíam de casa apenas para se divertir.
Cara concretada, trabalho feito, mais um cenário, mais um dia como outro qualquer...E voltei pela Niemeyer, como havia me prometido fazer, depois de 2 dias de engarrafamento nojento enlouquecedor. Uma lástima eu estar levando meu coleguinha de carona! A praia de São Conrado, no final da tarde, com poucas pessoas curtindo aquela cor linda de água no crepúsculo, aquela vista toda de lá de cima (a vontade de entrar um dia que fosse no Vip?s, só pra ver de mais alto..), o mirante, a descida no Leblon, as cores da cidade acendendo, o céu em Ipanema escuro com rasgos vermelhos emoldurando o final do dia de Zumbi...Tudo muito lindo, muito lindo, muito lindo!!!! Foi por bem pouco que esse cenário maravilha não conseguiu limpar a nuvenzinha negra. Quase, quase...Fui vendo as pedras iluminadas do Arpoador se aproximando, a vontade de descer ali e andar, de chorar (mais uma vez) e ter a nítida sensação de que tudo passará assim que eu submergir, e quando eu respirar novamente serei outra, limpa. Dentro vão acender todas as luzes da orla, e de repente eu vou ver o que realmente é. Imagem é nada, garotas...Do mar eu também teria o meu verdadeiro espelho, aquele que me diria ENFIM, o que eu quero tanto saber.
Corra não pare, não pense demais Repare essas velas no cais Que a vida cigana É caravana É pedra de gelo ao sol Degelou teus olhos tão sós Num mar de água clara
Agora eu morro de sono, mas como o anonimato é um horror, não consigo mais ficar sozinha na casa. Ligo o maldito computador, e volto para o mundo oco dos que não me ouvem, ou dos que me ouvem mesmo que eu não esteja de fato aqui, de letras presentes. Peguei minha maquininha e comecei a brincar de me ver, e de tirar auto-fotos até estourar o cartão, e fotos do pé, da mão, dos peitos. Parecia um filme pornô de péeeessima qualidade, haha. Mas o intuito era ver, em pelo menos UMA delas, alguma coisa que eu reconhecesse. Nada. Não vi na-da. Tudo bem, as unhas cor prune raffiné, a única coisa que eu sei que já sou eu. De resto, uma perfeita estranha, nas formas, nos olhares, nos sorrisos. Algumas brincadeiras mais e desisti de mim.
Quanta ironia numa última frase, hum?
:: Marcia Furriel 12:49 a.m.
[+] ::
...
|
| [::..perfil..::] |
"...[R]eturning to the Red Drum for sets, to hear Bird, whom I saw distinctly digging Mardou several times also myself directly into my eye looking to search if I was really the great writer I thought myself to be as if he knew my thoughts and ambitions or remembered me from other night clubs and other coasts, other Chicagos--not a challenging look but the king and founder of the bop generation at least the sound of it in digging his audience digging his eyes, the secret eyes him-watching, as he just pursed his lips and let great lungs and immortal fingers work, his eyes separate and interested and humane, the kindest jazz musician there could be while being and therefore naturally the greatest--watching Mardou and me in the infancy of our love and probably wondering why, or knowing it wouldn't last, or seeing who it was would be hurt, as now, obviously, but not quite yet, it was Mardou whose eyes were shining in my direction, though I could not have known and now do not definitely know--except the one fact, on the way home, the session over the beer in the Mask drunk we went home on the Third Street bus sadly through night and throb knock neons and when I suddenly leaned over her to shout something further (in her secret self as later confessed) her heart leapt to smell the "sweetness of my breath" (quote) and suddenly she almost loved me--"
DO LIVRO The Subterraneans
|
| [::.. perfil sarcástico..::] |
 |
|