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::26.12.03::
POESIA

Me lembro, de quando eu tinha uns 11, 12 anos, uma professora chata de português pediu para a turma um trabalho sobre Manuel Bandeira. Lá fui eu para a Biblioteca do colégio, tirar xerox das poesinhas curtinhas, porque a gente tinha que declamar uma na aula, e eu nunca achei que iria decorar uma grande! Se eu procurar, ainda acharei a que decorei. O trabalho ficou bom, acho que eu tirei dez, mas, melhor do que tudo, o livro ficou na memória. Cheguei em casa e contei pra mamãe, o título lindo do livro que eu tinha lido, Estrela da Vida Inteira. Anos depois, e com muito carinho, eu ganhei esse livro no dia em que passei no vestibular, com a seguinte dedicatória:

Márcia,
Você começou na arquitetura,
Que bom!

Mas não deixe de lado a literatura.
Procure sempre um tempo para o que realmente gosta.

Lúcia


Eu guardo esse livro com muito cuidado, e volto sempre nessa dedicatória quando preciso. Agora eu quero um tempo para o que eu realmente gosto. Agora eu quero voltar a descobrir novos Manuéis. E descobri, com uma intensidade enorme, provavelmente às 10 da manhã de um dia normal de trabalho, entre várias pilhas de livros que servem para encher estantes de cenários. Só que agora foi uma mulher. Já descobri outras em minha vida (a primeira, Cecília Meireles, também graças à chata da D. Norma, bendita seja!), mas cada uma delas apareceu em momentos diferentes. Da infância, da adolescência, e agora, vida adulta (seja lá o que isso signifique!!!). Chama-se HIlda Hilst. Peguei o livro de capa simples e abri nessa página.

DEZ CHAMAMENTOS AO AMIGO
VIII


De luas, desatino e aguaceiro
Todas as noites que não foram tuas.
Amigos e meninos de ternura

Intocado meu rosto-pensamento
Intocado meu corpo e tão mais triste
Sempre à procura do teu corpo exato.

Livra-me de ti. Que eu reconstrua
Meus pequenos amores. A ciência
De me deixar amar
Sem amargura. E que me dêem

A enorme incoerência
De desamar, amando. E te lembrando

-Fazedor de desgosto-
Que eu te esqueça.

Hilda Hilst

Por mais que os tempos ingênuos tenham passado. Eu acredito em tudo isso.


:: Marcia Furriel 12:13 a.m.


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...

[::..perfil..::]

"...[R]eturning to the Red Drum for sets, to hear Bird, whom I saw distinctly digging Mardou several times also myself directly into my eye looking to search if I was really the great writer I thought myself to be as if he knew my thoughts and ambitions or remembered me from other night clubs and other coasts, other Chicagos--not a challenging look but the king and founder of the bop generation at least the sound of it in digging his audience digging his eyes, the secret eyes him-watching, as he just pursed his lips and let great lungs and immortal fingers work, his eyes separate and interested and humane, the kindest jazz musician there could be while being and therefore naturally the greatest--watching Mardou and me in the infancy of our love and probably wondering why, or knowing it wouldn't last, or seeing who it was would be hurt, as now, obviously, but not quite yet, it was Mardou whose eyes were shining in my direction, though I could not have known and now do not definitely know--except the one fact, on the way home, the session over the beer in the Mask drunk we went home on the Third Street bus sadly through night and throb knock neons and when I suddenly leaned over her to shout something further (in her secret self as later confessed) her heart leapt to smell the "sweetness of my breath" (quote) and suddenly she almost loved me--"

DO LIVRO
The Subterraneans
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Tina the Troubled Teen
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