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::23.12.03::
PROM NIGHT - AT LAST



Ele chegou na soleira da casa, com mais margaridas, as minhas favoritas, um buquê enorme só para mim. Tirei a mais bonita e coloquei na lapela do seu terninho, engomado, bem cortado, parecia mesmo um galã de cinema, o meu rapaz. Dei minha mão a ele, e fomos no seu mustang preto, capaz de fazer inveja em todos os outros garotos da rua, e dos mais velhos também! Chegamos.
Na porta do baile, não consigo tirar o enorme sorriso do meu rosto, o de felicidade por estar ao seu lado, o menino tão alto, de cabelo curtinho, terninho preto e gravatinha fina, tão impecável que cheguei a ouvir suspiros na entrada...Mas ele era só meu mesmo. E eu, dele.
Dançamos algumas poucas músicas antes que ele tivesse que subir no palco. A banda da noite, claro...Eu e as amigas ficamos no lado direito do palco, e enquanto elas suspiravam pelo novo baterista (que veio lá do Sul, dizem até que já namorou uma branquela), eu continuava olhando fixamente para o centro do palco, enquanto ele tocava. Naqueles nossos olhares existia o entendimento, das coisas simples que conhecíamos, e das misteriosas que ainda estariam por vir, mas somente para nós. Muitas palavras eu disse ali, em pensamento. O show acabou, e a vitrola voltou a tocar. Ele desceu do palco, veio para mim, e assim nos encaminhamos até o meio da pista. Lights down, a música, aquela especial nossa, começou a tocar.
O corpo do meu menino, o meu par, é coisa que eu não posso deixar de esquecer. Minhas bochechas (coradas), encostaram no seu peito, e me abracei a ele enquanto dançávamos, e não havia mais ninguém por perto (havia?). Senti seus músculos, do tamanho certo, dentro da minha palma, seu cheiro, nervoso que estava de dançarmos assim, tão juntinhos, sua respiração ansiosa, o medo de errar o passo, ou que aquilo tudo acabasse no instante seguinte. Eu sentia o mesmo, menino, tudo igual. A margaridinha no meu pulso e a dele, no bolso do terninho...A música continuou tocando, eternamente, e eu fiz então a maior ousadia que uma menina de 16 anos poderia fazer, naquele tempo: eu me imaginei abraçando meu menino sem o seu terninho, sem a camisa, sem nada! Só o seu corpo, o dele e o meu. Eu e meu menino somos dois ímãs, eu pensei. Até um mínima, mísera distância, temos que nos repelir, não posso nem encostar nele, não devo! Mas se transpassarmos esse mínimo espaço, nossos corpos grudam como metais inseparáveis, e feitos da mesma matéria. Inexistentes.

( E essa era a nossa música...)

Ooo Baby Baby
Smokey Robinson & The Miracles

Oooh La La La La
I did you wrong
my heart went out to play & in the game
I lost you what a price to pay
I'm cryin'
Oooh Baby,
Baby Oooh Baby, Baby
Mistakes I know I've made a few
But I'm only human
You've made mistakes too
I'm cryin'
Oooh Baby
Baby Oooh Baby Baby
Ooo Baby Baby
Oooh Baby Baby
I'm just about at the end of my rope
But I can't stop tryin'
I can't give up hope
'Cause I'll be here
And someday I'll hold you near
Whisper I still love you
Until that day is here
I'm cryin'
Oooh Baby Baby
Oooh Baby Baby
Oooh Baby Baby
Oooooooooooh Oooooooooh
Baby Baby
Ooooooooooohoooooooooooooo




:: Marcia Furriel 12:55 a.m.


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...

[::..perfil..::]

"...[R]eturning to the Red Drum for sets, to hear Bird, whom I saw distinctly digging Mardou several times also myself directly into my eye looking to search if I was really the great writer I thought myself to be as if he knew my thoughts and ambitions or remembered me from other night clubs and other coasts, other Chicagos--not a challenging look but the king and founder of the bop generation at least the sound of it in digging his audience digging his eyes, the secret eyes him-watching, as he just pursed his lips and let great lungs and immortal fingers work, his eyes separate and interested and humane, the kindest jazz musician there could be while being and therefore naturally the greatest--watching Mardou and me in the infancy of our love and probably wondering why, or knowing it wouldn't last, or seeing who it was would be hurt, as now, obviously, but not quite yet, it was Mardou whose eyes were shining in my direction, though I could not have known and now do not definitely know--except the one fact, on the way home, the session over the beer in the Mask drunk we went home on the Third Street bus sadly through night and throb knock neons and when I suddenly leaned over her to shout something further (in her secret self as later confessed) her heart leapt to smell the "sweetness of my breath" (quote) and suddenly she almost loved me--"

DO LIVRO
The Subterraneans
[::.. perfil sarcástico..::]
Tina the Troubled Teen
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