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Letras de Música




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::9.2.04::
LET ME TRY AGAIN

Nasci no Brasil, mais precisamente na Glória. Filha de um peruano louco com uma carioca muito bem ajustada. Nasci e fui morar em Copa, e depois em Botafogo, e depois em Santa Teresa, de volta para Botafogo, afinal. Fui uma garota zona sul freak até os 13 anos. Depois fui estudar na zona norte, onde de todos os 47 alunos da minha turma, só eu pegava o 435 pra voltar pra cá, e o resto da galera ou pegava ônibus para além-Méier, ou ia pra Central pegar trem mesmo. Só andei de trem uma vez na vida, e espero não andar mais. É sofrível, e tem que ter muito saco pra aguentar aquilo. Depois fui para a faculdade, estudar arquitetura, uma faculdade onde me ensinaram basicamente como escrever com letra chique e como aumentar o seu ego em proporções nunca imagináveis. Um pouco de desenho e um pouco de história também (beem pouquinho).

Cresci numa família de mulheres dominadoras e independentes, que não ligam a mínima para os meus relacionamentos amorosos, elas só querem que eu seja feliz, tenha os meus gatos e tenha dinheiro e um carro. Compreensível, se usarmos Freud. Meu pai ouvia discos do Jorge Ben e o Acabou Chorare, que ainda é meu, e ouvia a Eddie Gormé com o Trio Los Panchos junto com outros trocentos peruanos e patrícios em geral na nossa casa, e todos ficavam bêbados e cantavam mais alto ainda, até o Sol raiar. Eu cresci com muita música e cerveja, e inclusive muito samba. Mas eu nunca gostei, eu gostava era do Trini Lopez. E gostava dos Beatles. Meu pai nunca ligou a mínima pros Beatles. Minha mãe curtia os franceses, e me ensinava algumas músicas que me foram muito úteis nesse reveillon último, hehehehe. Minha tia, um pouco mais nova, me apresentou quase tudo que eu gostava na adolescência, incluindo aí Pink FLoyd, Renaissance, Cat Stevens, Cazuza, Geraldo Azevedo. Minha tia me fez comprar o disco DOIS, da Legião Urbana, e eu também o tenho até hoje. Não escuto mais, mas é algo que respeito. Foi com ela que comprei meu disco duplo do New Order, o Substance, e foi com ele (o disco) que comecei a dançar sozinha em casa, na frente do espelho ou em cima do tapete geométrico (era só seguir as linhas, segundo a minha coreografia). Do meu avô querido, a pessoa mais sensata e lúcida da família, guardei todas as óperas e valsas. As valsas eu usava para treinar o balé, a ópera para mim era só uma: Carmem, de Bizet, que eu ouvia constantemente com a mamãe, e era um disco de 78 rotações (e nós tínhamos a vitrola).

Com 16 anos, morando do lado do Estação Botafogo, resolvi afinal ir ao cinema ver o filme que não me deixava dormir todas as noites: chamava-se The Doors, Oliver Stone. Eu fui atraída pelas músicas e gritos, e acabei ficando obcecada. Minha primeira obssessão adolescente. No colégio, discutíamos se Guns'n'Roses era ou não uma merda. Sempre achei.

Com 18, Jimi Hendrix. Com 19, finalmente Wish you Were Here, incluindo aí suspiros apaixonadíssimos. Com 20, conheci um amigo queridíssimo, daqueles únicos, que mudou meu gosto musical definitivamente. Ele me mandava fitas e mais fitas, desde Mozart até Count Basie, passando por todas as mulheres que eu amo desde então: Ella, Billie, Dinah, Nina...Ele me deu coisas demais, coisas que até hoje eu não entendi direito, mas principalmente me abriu para novos caminhos, e eu nunca teria conhecido jazz se não fosse por ele.

Passeio muito por aí, em tudo quanto é canto musical, porque é algo que eu realmente gosto, que realmente faz parte da minha vida, do meu mundo. Não há um dia na vida em que eu não ligue um rádio, ouça um cd ou uma mp3. Miinha vida é repleta de música, em francês, inglês, castelhano, e bastante em português. Cresci colecionando letras, ou lyrics, e cresci cantando. Cresci amando ler as letras, e sonhando com as letras, e pensando em letras. E até hoje, tudo que é sonho meu tem trilha sonora. Tudo. E 50% disso tudo é em inglês. Cresci também com o livro de geografia do Melhem Adas, que tinha colunas coloridas falando sobre a colonização cultural e o domínio americano. É isso aí, ou não. Meu domínio cultural são meus pais, minha família e meus amigos. E a minha língua é o português, e o que quer e o que pode essa língua??? Mas escrevo tudo o que sonho da maneira que vier.

Como dira o Frank, i was just trying again.

p.s.: Nunca quis ir à Disney.


:: Marcia Furriel 6:01 p.m.


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[::..perfil..::]

"...[R]eturning to the Red Drum for sets, to hear Bird, whom I saw distinctly digging Mardou several times also myself directly into my eye looking to search if I was really the great writer I thought myself to be as if he knew my thoughts and ambitions or remembered me from other night clubs and other coasts, other Chicagos--not a challenging look but the king and founder of the bop generation at least the sound of it in digging his audience digging his eyes, the secret eyes him-watching, as he just pursed his lips and let great lungs and immortal fingers work, his eyes separate and interested and humane, the kindest jazz musician there could be while being and therefore naturally the greatest--watching Mardou and me in the infancy of our love and probably wondering why, or knowing it wouldn't last, or seeing who it was would be hurt, as now, obviously, but not quite yet, it was Mardou whose eyes were shining in my direction, though I could not have known and now do not definitely know--except the one fact, on the way home, the session over the beer in the Mask drunk we went home on the Third Street bus sadly through night and throb knock neons and when I suddenly leaned over her to shout something further (in her secret self as later confessed) her heart leapt to smell the "sweetness of my breath" (quote) and suddenly she almost loved me--"

DO LIVRO
The Subterraneans
[::.. perfil sarcástico..::]
Tina the Troubled Teen
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