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Letras de Música




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::27.5.04::
THESE FOOLISH THINGS
Pensando na vida (na minha). Não sou nada. Nunca serei nada, como diria o Pessoa. Essa questão do "ser" anda me angustiando, angustiando tanto demais a ponto de eu nem saber "ser" mais "a que escreve em blog próprio". Ser, e isso não é pouco, é muito mais difícil que estar. Ser mesmo, assim, do verbo intransitivo, eu não sou mesmo nada. Parafraseando o filósofo, na sua vertente mais estúpida (do que jamais ele imaginou), tudo que sei é que nada sei (ser).

Das coisas que eu sou, poderia enumerá-las rapidamente, numa pequena listinha. Das que eu sei, uma menor ainda. Eu sei mesmo é decorar nomes de música (e cantores, e grupos afins), sei compor exatamente uma taça de sorvete napolitano com calda de caramelo E chocolate, sei cantar Yellow Submarina (isso eu nem sei se ainda sei). Das coisas que eu SOU, não posso afirmar nenhuma...Posso dizer assim: Mardoux é morena, tem um cabelo estranho que nunca soube se quer enrolar ou alisar, tem 1,61 e 50 e blau quilos (eu realmente não sei, da última eram 54), tem joanete e a voz fina (se comunica com golfinhos, apesar de nunca ter estado face-to-face com nenhum deles). Tem irmãs, família, 4 gatos (tinha cinco, mas o preferido morreu), uma gaveta entupida de reminiscências que não fecha nunca e um sistema reprodutor que veio com defeito. Mais do que isso eu nunca tive muita certeza. Tenho quase 30 e não sei de nada.

Tenho quase 30 e desacreditei ser boa no que me formei, como profissão. Tenho quase 30 e nunca fui a Europa. Tenho quase 30 e sim, tenho alguém que me ama, mas sobre isso não tenho a menor certeza de que sou capaz de amá-lo igual, certeza essa que pra mim passa looooonge das mais básicas que gostaria de ter (por ser a mais impossível). Mesmo as certezas que me são oferecidas, eu fujo delas como o Diabo da cruz. Aliás não, pois também não tenho certeza da existência de um Diabo, nem de algo superior, nem de saber existir algo superior mesmo que eu não tenha certeza. Não acredito em vidas passadas, vida após a morte, Deus, Buda, Alá e o diabo aquático (auto-piada). A lista das coisas que eu gostaria de ser é vasta demais pra começar a pensar, e irrita demais em pensar. Agora, paro e presto atenção nos meus pequenos detalhes, nos pequenos indícios de uma suposta especialidade, e volto mais uma vez ao Álvaro, que era um Pessoa que também não tinha certezas: não me pareço com nada, não sirvo para nada e não conto com nada. Não sei escrever, nem desenhar, nem fazer cálculos avançados. Não sei se sei pensar muito tempo sozinha, sem me influenciar por um passante que diga qualquer coisa a respeito dos meus assuntos. Não sei me distanciar, nem ficar perto. Nem ao menos dizer que não quero ficar distante, nem perto. A língua não me serve em nada, e olha que eu sei falar! Me podo para não me emocionar com futilidades, e ao mesmo tempo não consigo me emocionar com as verdades que eu já sei. Não acredito em famílias, e nem na possibilidade de me tornar parte de uma que seja boa (e sã). Não acredito em "será", nas coisas que me dizem que acontecerão, e é só eu aguardar, que vai passar (ou vai ser). I don´t believe in Beatles, and I don´t believe in me.


:: Marcia Furriel 10:43 p.m.


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[::..perfil..::]

"...[R]eturning to the Red Drum for sets, to hear Bird, whom I saw distinctly digging Mardou several times also myself directly into my eye looking to search if I was really the great writer I thought myself to be as if he knew my thoughts and ambitions or remembered me from other night clubs and other coasts, other Chicagos--not a challenging look but the king and founder of the bop generation at least the sound of it in digging his audience digging his eyes, the secret eyes him-watching, as he just pursed his lips and let great lungs and immortal fingers work, his eyes separate and interested and humane, the kindest jazz musician there could be while being and therefore naturally the greatest--watching Mardou and me in the infancy of our love and probably wondering why, or knowing it wouldn't last, or seeing who it was would be hurt, as now, obviously, but not quite yet, it was Mardou whose eyes were shining in my direction, though I could not have known and now do not definitely know--except the one fact, on the way home, the session over the beer in the Mask drunk we went home on the Third Street bus sadly through night and throb knock neons and when I suddenly leaned over her to shout something further (in her secret self as later confessed) her heart leapt to smell the "sweetness of my breath" (quote) and suddenly she almost loved me--"

DO LIVRO
The Subterraneans
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Tina the Troubled Teen
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